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SOMOS TUDO O QUE SOMOS

Eu não sou quem fui ontem. E não devo fidelidade a versões que já não me sustentam. Recuso a ideia de que identidade seja destino fixo.  Crescer não é incoerência — é responsabilidade. Permanecer igual, quando já não faz sentido, não é lealdade:  é medo bem articulado. Não confundo persistência com teimosia. Mas também não abandono aquilo que reconheço como verdadeiro só porque exige mais de mim do que eu gostaria de pagar. Partir sempre foi possível. Escolhi ficar. Não por incapacidade de ir, mas por consciência do que estaria traindo se fosse embora.  Ficar, para mim, nunca foi conforto.  É custo.  E eu assumo esse custo sem terceirizar consequências. Não busco ser compreendido por todos. Mistério não é fuga — é escolha. Clareza excessiva, muitas vezes, é uma forma de pedir aprovação.  Eu não negocio minha verdade para ser facilmente decifrado. Aceito que algumas versões minhas precisaram morrer para que algo essencial sobrevivesse. Crescimento exige luto...
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Do abismo ao Éden poético

  Um belo dia, me encontrei. Como fênix, ressurgi. Como camaleão, me reinventei. Como ser humano, evoluí.   Um dia te amei, no outro não te quis. Sempre soube que estava errado. Entre lucidez e devaneios, entre perdas e ganhos, a vida sempre surpreende justo quando parece não haver solução. Me conformei e chorei. Me levantei e lutei. Sorri entre os gritos do desespero. Mergulhei nas lágrimas da ansiedade. Busquei a fundo todos os sentimentos para conhecer o desconhecido. Me surpreendi com o que encontrei. Mais ainda — com quem reencontrei. Vi no espelho aquele que um dia abandonei. Mas agora, mais maduro, mais forte, determinado, capaz de realizar o dobro do que um dia sonhou.   Um dia o medo me paralisou. Hoje ele é bussola, me ensina a recalcular a rota. Recomeçar não é vergonha, Perder é lição. Dar um passo atrás é impulso pra saltar ainda mais alto.   Conquistar é bom, reconquistar pode ser melhor. O que vem fácil, vai fácil. ...

Entre Cortinas e Verdades

  As cortinas se abrem mais uma vez. O roteiro começa suave, encantador — o enredo prende o olhar curioso do espectador. Mas a pergunta ecoa: será o ator um novo personagem… ou apenas um reflexo disfarçado de si mesmo? Difícil perceber, às vezes, que o personagem carrega fragmentos do próprio coração. Cada gesto, cada fala, cada olhar revela a essência tímida de quem sempre esteve ali — escondido, vulnerável, em guerra com o mundo e com o espelho. No palco, porém, ergue-se firme: um homem forte, corajoso, inteiro em sua ficção. E é aí que poucos entendem: nunca se tratou de máscaras. Foram armaduras — necessárias, urgentes — para sobreviver enquanto o caos se ajeitava dentro. Hoje, já não dói. O desconforto virou brisa. Agora existe apenas a leveza de ser — quem, quando, onde e como quiser. Pode parecer estranho, até perigoso, mas mergulhe fundo: o que encontrará lá embaixo sempre esteve presente. Nada foi falso — a sombra já não domina, apenas observa. Porque quando algu...

Eu

  Ergui uma armadura Para me proteger, Sem saber que ela me destruíra por dentro.   Para evitar ruínas, silenciei Para não despencar, me escondi. Mas o que se cala, apodrece.   Digo que não me arrependo, Digo que não me importo, Mentiras que só eu aceito.   No espelho, um estranho me encara, Rostos fragmentados de tantas quedas, De tantas reinvenções acho que me perdi em mim mesmo.   Como a fênix renasce das cinzas, Aceito que este sou eu: Imperfeito, vitorioso, Risos e lágrimas, calma e tempestade.   Portas se fecham, outras se abrem, Capítulos se encerram, novos começam. Pessoas entram, pessoas saem, Algumas ficam para sempre, Outras passam, mas todas me moldam.   O caminho nunca é claro, Mas a resiliência me anima. Desistir? Nunca foi opção. O equilíbrio nasce do caos, A queda impulsiona o voo, Recuar é só para lançar-se longe.   O céu nunca foi limite, Voar exige aprendizado, Conquista exige luta, Crescimento exige dor. ...

Chuva

  Tímida nas pontas dos meus dedos, sussurrando na vidraça do meu peito. Teu amor cai como chuva. Lava meu sofrimento, dissolve o peso das ausências, e faz florescer o que em mim secou. Quando teus lábios queimam os meus, e o tempo se suspende no toque, ouço tua voz mesmo no silêncio — e tudo é real. O trovão anuncia o que meu coração já sabia: há música em mim, e ela tem teu nome. Me chame de tolo, mas ficarei aqui — no alto da montanha do meu amor — esperando sentir tua chuva novamente. Lembro quando teus olhos disseram adeus. Minhas as lágrimas se misturaram ao vento. Quando me virei, desejei que o céu se abrisse, que as nuvens escuras te devolvessem pra mim. Prometeste voltar quando a tempestade passasse. E eu, deposito a fé, fico. Esperando o sol, esperando o clarão, até sentir-te cair, suave, sobre mim. Teu amor cai como a chuva, lava meu sofrer, leva minha dor, e me faz renascer. Agora o sol se insinua entre as nuvens. E eu te digo: nunca...

Abrigo Infinito

  Rios se romperam, abismos se ergueram. As feridas queimavam, o sangue era memória viva. Nos olhos, o desespero tremia; na alma, a instabilidade dançava. O medo do desconhecido lutava contra o consolo do aconchego. E, num sopro, nada mais seria igual.   A cura surgiu no instante em que tudo parecia ruir. E ainda assim, a tolice me fez suspirar enquanto o mundo, em silêncio, estendia suas mãos. Perdido, buscavas a chave de si mesmo, enquanto lá fora a vida chamava, convidando à lucidez e às infinitas possibilidades.   No horizonte, uma luz que parecia ao alcance escorregou novamente para longe. Não era tempestade, era apenas aviso: o tempo não espera. Ele trai, ele corre, ele muda tudo em um instante.   Mas as inseguranças não podem ser algemas, e o medo não deve ser prisão. Enquanto a vida permitir, estarei aqui. Segura minha mão, deixa-me ser teu resgate. Ontem fui ausência, mas hoje sou presença. E voltei — não mais de passagem, mas ...

Caminhos

  Olhos que carregam perguntas. Mas afinal… o que é que você precisa provar? A quem? E por quê? Para onde corre o seu passo, Quais objetivos deseja alcançar? Realidade ou apenas miragens?   Dentro de nós, segredos sussurram. Confissões guardadas em caminhos tortuosos, Apontando desejos escondidos na penumbra. Quem diria que um coração partido poderia rabiscar certezas tão incertas? Às vezes, a lógica simplesmente abandona a conversa. Que se transformam em ecos dentro do silêncio. Assim como as águas que regam as flores, lágrimas lavam o terreno do coração. E como as ondas que quebram e se dissolvem, os medos também chegam, e vão embora.   Na queda o recomeço, Na fragilidade, o ponto exato onde a vida se reinventa. E todo recomeço é uma chave secreta, abrindo portas para novas versões de si mesmo. Um livro inédito, Um parágrafo novo, Uma linha solta no papel do tempo. Ou apenas o milagre simples de um novo amanhecer.   Porque intenção, sem movimento,...