Rios se romperam, abismos se ergueram.
As feridas queimavam, o sangue era memória viva.
Nos olhos, o desespero tremia;
na alma, a instabilidade dançava.
O medo do desconhecido lutava contra o consolo do aconchego.
E, num sopro, nada mais seria igual.
A cura surgiu no instante em que tudo parecia ruir.
E ainda assim, a tolice me fez suspirar
enquanto o mundo, em silêncio, estendia suas mãos.
Perdido, buscavas a chave de si mesmo,
enquanto lá fora a vida chamava,
convidando à lucidez e às infinitas possibilidades.
No horizonte, uma luz que parecia ao alcance
escorregou novamente para longe.
Não era tempestade, era apenas aviso:
o tempo não espera.
Ele trai, ele corre, ele muda tudo em um instante.
Mas as inseguranças não podem ser algemas,
e o medo não deve ser prisão.
Enquanto a vida permitir, estarei aqui.
Segura minha mão, deixa-me ser teu resgate.
Ontem fui ausência, mas hoje sou presença.
E voltei — não mais de passagem, mas para ficar.
Entre bilhões, caminhos que se cruzaram.
E agora, corações que recusam o desencontro.
Como crianças que imploram por colo,
as vidas se entrelaçaram em laços que não se desfazem.
Não te prendas às incertezas.
Não desistas só porque o caminho pareceu torto.
Desde o início, deu certo.
Não como sonhavas, mas como precisava ser.
Pois alicerces não nascem prontos:
requerem tempo, persistência
e até a tormenta que os fortalece.
A ansiedade morde, as dúvidas assustam.
Mas, de repente, a alma se aquieta,
a vida se alinha, os caminhos se convergem.
E conduzem, juntos, ao mesmo destino —
com mais certeza, convicção e abrigo.
E quando menos esperas, percebes:
Estás livre.
Livre de tudo o que antes te amarrava,
e pronto, enfim, para voar.
Agora, só resta uma escolha:
Terá coragem para se permitir tentar?
Vem comigo...

Comentários
Postar um comentário