"Fui ver O closet, comédia francesa com Daniel Auteuil e Gérard Depardieu, que conta a história de um homem que, prestes a perder seu emprego de contador numa fábrica de camisinhas, espalha que é gay, assim o chefe o manterá no cargo para evitar protestos de sua clientela mais cativa.
Particularmente, acho linguagem do filme meio bobalhona e os personagens caricatos, mas não há dúvida de que o roteiro é inteligente e nos faz pensar. O personagem principal é um cara desinteressante e submisso. A mulher o abandonou e o filho não lhe dá a mínima e a vida resume-se a cumprir seu trabalhinho burocrático de segunda a sexta. Um homem sem opinião. Sem posição. Um zé-ninguém.
Quando descobre que vai ser demitido, pensa até em suicídio, pois não lhe restará mais motivo para levantar da cama de manhã. Até que um vizinho lhe dá a idéia de “sair do armário” (um armário que na verdade ele nunca entrou) e ameaçar fazer barulho nos jornais se for cortado da empresa. Num dos diálogos mais interessantes do filme, ele comenta com o vizinho que não saberá imitar um gay, no que o vizinho responde que ele não precisa mudar nada no seu comportamento, o olhar dos outros em relação a ele é que mudará. Chegamos ao ponto.
Uma vez o boato espalhado entre os colegas, tudo ao redor do personagem transforma-se, menos o próprio. As pessoas passam a ter opinião sobre ele, o mundo movimenta-se, sai do lugar. Ele começa a existir.
Muitas pessoas sonham em ser invisíveis para poder observar os outros e saber o que eles diriam se não percebessem sua presença, eu sei o que eles diriam: nada. Os invisíveis não interessam. Há muitos invisíveis entre nós: são aqueles que adotam uma postura neutra, um comportamento padrão, não defendem suas idéias nem seus direitos.
A neutralidade cria uma ilusão de ótica: desaparecemos aos olhos dos outros. Para reaparecer, uns se cobrem de ouro ou procuram sair na capa de uma revista, mas não carece tanto espalhafato. Basta assumir suas preferências, batalhar por um projeto de vida, ir contra a maré se for preciso, ter nome e sobrenome registrados em cartório e defendê-los de qualquer humilhação, não ser um parasita e sim uma pessoa que faz diferença. Todos nós temos que sair do armário um dia e dizer “eu sou”, não importa o quê."
Martha Medeiros
"Muitas vezes o que se cala faz maior impacto do que o que se diz." - Mr. Pete
"I'd like to express my extreme point of view
I'm not Christian and I'm not a Jew
I'm just living out the American dream
And I just realized that nothing is what it seems"
"American Life"

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