Eu não sou quem fui ontem. E não devo fidelidade a versões que já não me sustentam. Recuso a ideia de que identidade seja destino fixo. Crescer não é incoerência — é responsabilidade. Permanecer igual, quando já não faz sentido, não é lealdade: é medo bem articulado. Não confundo persistência com teimosia. Mas também não abandono aquilo que reconheço como verdadeiro só porque exige mais de mim do que eu gostaria de pagar. Partir sempre foi possível. Escolhi ficar. Não por incapacidade de ir, mas por consciência do que estaria traindo se fosse embora. Ficar, para mim, nunca foi conforto. É custo. E eu assumo esse custo sem terceirizar consequências. Não busco ser compreendido por todos. Mistério não é fuga — é escolha. Clareza excessiva, muitas vezes, é uma forma de pedir aprovação. Eu não negocio minha verdade para ser facilmente decifrado. Aceito que algumas versões minhas precisaram morrer para que algo essencial sobrevivesse. Crescimento exige luto...